Zooey

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She and me
and nobody will touch my TV
because this is the channel
I want to see.

I’m riding my bike towards you
there is plenty of room for two
I’m gonna go and play there
just you wait for me.

I smiled when I saw you
and invited you for a walk
touched your hand and looked away
you were shy and didn’t talk.

You are lovely with that dress
you were wearing when we met
ever since I got a strange feeling
that always runs down my chest.

I get you flowers every day
take a deep breath and bring you them
you blush and then you run
I love you girl my sweetest fun.

Lógica

A gente faz tanta coisa sem pensar que, quando se dá conta de uma atividade que é automática, essa passa a acontecer com dificuldade. Paro e reflito sobre a respiração, e de repente sinto falta de ar. Quando noto que estou piscando, meus olhos ficam pesados e me custa muito esforço abrir e fechá-los.

Muitas coisas funcionam assim.

Falar não é tão perigoso quanto escrever

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Falar não é tão perigoso quanto escrever.

O som propagado no ar evapora rapidamente e não se tem mais vestígios de que um dia ele chegou a existir. Ao contrário, aquilo que está escrito, embora o papel pereça, tem um prazo de validade muito maior.

É por isso que falar não é tão perigoso quanto escrever.

Falar é de fato muito fácil. É de um imediatismo que não me agrada. Sempre fui muito mais do silêncio e da solidão. E poucas atividades são tão solitárias e silenciosas quanto o fazer escrito.

Os textos redigidos pelas minhas mãos se tornam eternos – pelo menos para mim, mas eu espero muito que os destinatários também mantenham a palavra escrita viva; que, ao olhar para aquelas linhas, evoquem a situação em que pela primeira vez elas foram lidas. Com um pouco de sorte, também as sensações daquele dia serão retomadas.

Escrever, portanto, é agir. Falar nem sempre o é.

Escrever seria tão perigoso quanto viver? perguntaria eu, sem, no entanto, receber uma resposta. E não tenho como objetivo encontrá-la. Quem sabe, “escrever” no fundo pode mesmo significar “viver”…

Lápis

Não quero mais escrever com uma lapiseira. Não há nada mais puro do que escrever com o lápis sobre um papel. Quero permanecer com essa pureza no único território em que ela ainda pode ser mantida, o da escrita.

Sexta, 28

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Viver é muito perigoso; sonhar também. Tristes o vazio e o silêncio que vêm depois de um mundo que poderia ter sido. Penso na minha vida e nas muitas outras que poderiam ter sido. E fico triste mesmo. Não pelas escolhas que fiz, mas por não poder experimentar, ainda que por poucos minutos, os outros caminhos.

- do “Diário”

A flor

Ainda que tenha espinhos
esteja à distância
e não se saiba o que
vai acontecer com ela.

Que por vezes machuque,
reflexo de quem a amamentou.
Que tenha um ciclo curto,
espelho de quem a acaricia.

Devagar se cultiva a flor.

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