Colocar um pássaro em uma gaiola é querer torná-lo humano.
Postado por Mateus Campos
Colocar um pássaro em uma gaiola é querer torná-lo humano.
Postado por Mateus Campos
E lá se vai mais um manezinho…
Não aquele bailarino de pernas tortas,
mas um cavalheiro, um guerreiro, um brasileiro.
As madeixas cacheadas saltitantes
e o grito indefectível iniciavam a sinfonia.
Que podia durar horas, e ninguém se importava.
A orquestra tinha como palco a França, principalmente.
Porém o coração esteve sempre do lado de cá.
A arma machucava com o golpe esquerdo.
Mas todos aplaudiam aquela barbaridade.
O inimigo morria com um sorriso nos lábios.
Não se podia crer.
Não se podia crer como alguém tão magro,
esquálido até,
tivesse uma potência tão assustadora.
E ele respondia com carisma.
Era uma humildade honesta.
Era um caráter irretocável.
Era um guerreiro incansável.
Era alguém que ria da adversidade.
Era o representante de todas as nações.
Era um campeão com qualidades quase infinitas.
Era a personificação daquilo que se espera de uma lenda.
É…
E acabou.
Sai o lutador, entra o ser humano.
Que agora deve ficar longe das arenas.
A memória, entretanto, não há de falhar.
Falaremos sobre ele, escrevemos em sua homenagem.
E mesmo assim, retribuir à altura será impossível.
As lágrimas que vertemos vêm involuntárias
embaçam e transbordam a garganta.
Você veio e se foi tão rápido.
Mas o que fez… Sem igual.
Em uma palavra,
obrigado.
***
Gustavo Kuerton encerrou hoje (ontem), 25 de maio de 2008, sua carreira como tenista profissional. Ele conquistou 20 títulos de simples e deixa as quadras com 31 anos de idade. Isso é o mínimo que acho que posso fazer por um cara que me fez querer ser como ele, sendo que até fiz aulas de tênis durante alguns anos. Valeu, Guga!
Abaixo, a despedida de Guga dos torneios oficiais aqui no Brasil.
Postado por Mateus Campos
Pelo menos agora o 16 de maio não será conhecido apenas como o dia do aniversário deste que escreve. Foi neste momento que surgiu o blog “O Fazer Escrito”, que hoje completa o primeiro ciclo do que se convencionou chamar “ano”. Em vez de um texto de minha autoria, passo a palavra hoje àquele que realmente entende do assunto. Vi este poema de manhã na aula do genial José Miguel Wisnik, que já compõe a relação de professores memoráveis da Universidade.
Consolo na praia – Carlos Drummond de Andrade
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.
Sempre um disco voador
Aparece na janela e vem buscar
Algumas informações
Sobre a vida aqui na Terra
Digo: Tudo está em paz!
Os terráqueos já não erram tanto
Vivendo em harmonia, não existem guerras mais.
Os marcianos não se deixam enganar!
Os marcianos não se deixam enganar!
E do disco voador
Dão um show de raios, luzes, fantasias…
Mostram como vivem lá
O universo é uma grande família
Penso: – Nada vai mudar!
Cada um… é uma pequena ilha
Não podemos nos juntar
E os visitantes voltam tristes pro seu lar.
Música “Marcianos”, da Relespública
Postado por Mateus Campos