Falar não é tão perigoso quanto escrever.
O som propagado no ar evapora rapidamente e não se tem mais vestígios de que um dia ele chegou a existir. Ao contrário, aquilo que está escrito, embora o papel pereça, tem um prazo de validade muito maior.
É por isso que falar não é tão perigoso quanto escrever.
Falar é de fato muito fácil. É de um imediatismo que não me agrada. Sempre fui muito mais do silêncio e da solidão. E poucas atividades são tão solitárias e silenciosas quanto o fazer escrito.
Os textos redigidos pelas minhas mãos se tornam eternos – pelo menos para mim, mas eu espero muito que os destinatários também mantenham a palavra escrita viva; que, ao olhar para aquelas linhas, evoquem a situação em que pela primeira vez elas foram lidas. Com um pouco de sorte, também as sensações daquele dia serão retomadas.
Escrever, portanto, é agir. Falar nem sempre o é.
Escrever seria tão perigoso quanto viver? perguntaria eu, sem, no entanto, receber uma resposta. E não tenho como objetivo encontrá-la. Quem sabe, “escrever” no fundo pode mesmo significar “viver”…