Resposta

Pelo menos pra mim há claramente coisas em nós que nos distinguem e que passam longe da conclusão que os outros têm sobre nós (embora o Machado ache que isso é mentira, que nós mais pensamos que somos do que somos realmente – mas eu concordo com ele em absoluto, também!). Não quero apaziguar o desconforto que causa a leitura do Machado, mesmo porque você sabe que eu gosto muito de coisas incômodas, mas acho que o conto, como qualquer teoria (já que ele se subintitula teoria) não abrange o todo e a variedade, ainda mais da “alma humana”.

Um exemplo prático do que eu quero dizer é o fato de termos sorte o suficiente para conseguirmos escrever. A nossa produção é uma prova do que temos por dentro e que quase sempre (e por isso escrevemos) é um despejo, um grito que confronta o que é pensado ou dito por aí, ou mesmo que não se oponha frontalmente, contrasta de leve. E nesse sentido acho, sinceramente, que podemos sim ser “individualmente”, embora não só. Por isso é bom que pensemos sempre no conjunto, ainda que no momento estudando só o Machado. É bom lembrar dos outros escritores e o acúmulo de impressões diversas sobre o mundo que as leituras sugerem. Pois afinal é a graça da literatura, aquelas opiniões que nos convencem, mas que, se comparadas umas às outras, se sobrepõem, se desmentem, tornam-se contraditórias e se mostram insuficientes se isoladas, mas, mesmo depois de tudo isso, continuam com sua força inicial e nos convencendo como no início… Porque nós mesmos somos muito contraditórios e oscilantes, uma bagunça interior que convive junto o tempo todo.

***

Como disse Juca Kfouri em um programa na TV dias atrás, há coisas que são ditas e escritas no particular que merecem ser postas no público para que os demais possam apreciá-las e aprender com elas. Não cito o nome da pessoa pois sequer lhe pedi autorização para isso, mas o trecho acima é parte editada de uma resposta que recebi de um e-mail sobre o desconforto causado após a leitura do conto “O espelho”, de Machado de Assis. O texto trata da opressão da alma interior pela alma exterior, ou seja, a absoluta potência da imagem que os demais têm de nós a partir do cargo e função social que exercemos contra a praticamente inexistente qualidade interior. Achei as palavras tão fortes, significativas e verdadeiras que decidi colocá-las aqui no blog. Se a pessoa estiver de acordo, revelo a identidade em breve. Basta saber que é de autoria de alguém que prezo como poucos.

Postado por Mateus Campos

Publicado em: on Agosto 31, 2009 at 4:54 am Comentários (1)
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Tornar-se Rocha

Há pessoas que simplesmente não conseguem dizer à outra quando algo lhe incomoda, precisa ser mudado ou que não gostaria de certas atitudes tomadas por ela. Essas pessoas talvez tenham medo de machucar a outra ou então, de certa forma, não querem que a atitude parta delas mesmas, mas sim seja atribuída ao outro. Não querem ser responsáveis pela detonação da bomba, pelo apertar do gatilho ou do simples abrir de uma gaiola. Uma atitude como essa, muito mais do que ferir a outra pessoa, a tornaria culpada pela possível reação em cadeia, pelo relar dos átomos capaz de gerar grande explosão.

Mas ao contrário do que pode-se pensar, pessoas que escolhem isso não são covardes ou possuem falta de alguma característica positiva na personalidade; não é o caso de despojar-se de ter dedos apontados na cara ou querer dormir tranqüilas em sua condição de inércia. No papel de acusadoras, tomando iniciativas para um possível estopim da mudança de coisas, a hesitação em acender o pavil, em derrubar a primeira peça de uma fila de dominós a torna livre da talvez pior coisa que pode acontecer com uma pessoa. Essas, na verdade, querem evitar a iminente e terrível possibilidade que todos nós, experiência após experiência ao lado de alguéns cujo valor de afeto seja enorme, corremos: o de virarmos rochas. Dura, fria e estéril. Barrocos. Mas às vezes, indo completamente contra a lógica do viver, é preciso tornar-se, estar ou até mesmo permanecer como rochas. Elas também perecem logo menos.

Anuncio a quem interessa que Mariana Rocha de Freitas virou rocha no instante em que algumas coisas não fazem mais sentido serem mostradas, produzidas ou compartilhadas, mas que talvez Marina ainda continue acompanhando a trajetória deste blog. O Sobre virou Para. Bom ao menos ter despertado algo de positivo para quem fica; esta pessoa então poderá continuar a tocar o moinho.

Publicado em: on Julho 22, 2009 at 1:17 am Deixe um comentário

Trocando um lero

Da série de perguntas e respostas entre Murilo Mendes e personagens famosos da arte brasileira, que nunca estiveram tão vivos.

Villa-Lobos
- Villa, como é Bach?
- Batuta.

Postado por Mateus Campos

Publicado em: on Dezembro 18, 2007 at 5:48 pm Deixe um comentário
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Seremos assim, então…?

Será que vamos nos tornar as nossas histórias?

Frase de Mateus para Mariana depois que conversavam sobre a crônica Visita familiar, escrita por Mateus.

Postado por Mateus Campos & Mariana Rocha de Freitas

Publicado em: on Julho 29, 2007 at 8:27 pm Deixe um comentário

O nascer de uma metáfora

Você quer um copo d’água?

Eu quero. Traz meio vazio para mim.

Não, vou trazer um pequeno completamente cheio, então.

 

 

 

Disse, mas naquele momento nem me dei conta. Ela, prontamente, rebateu sobre a metáfora contida nas palavras. Fiz bem em anotar, apesar de a reprodução não me parecer tão exata como gostaríamos.

Preencher os espaços com algum sentimento, seja ele da natureza que for. Entre nós jamais poderá ser frio, e ela sabe. A plenitude do copo cheio, transbordando com o que representa vida. Faltar, sobrar, jamais – quero que seja intenso, vívido, completo, total. E, acima e antes de tudo, quero ser o seu eterno fornecedor – de alegrias, preferencialmente.

Postado por Mateus Campos & Mariana Rocha de Freitas

Publicado em: on Julho 12, 2007 at 7:33 pm Comentários (1)

Instantes

Você me deixa sem palavras, sem ações…sem expressão
e você vai me guiar amanhã…
porque vai ser complicado…

Eu te guio
É só você fechar os olhos…e segurar bem forte a minha mão

Vou sim
só que não me solte
eu posso cair

Antes que você toque o chão, eu estarei lá.

29/03 – 3:36 p.m.

***

 

Por mais insólito que possa parecer, essa conversa se deu via msn. Naturalmente, sem forçar. As palavras vieram assim. É por isso que acreditamos que a poesia está em toda parte.

Postado por Mariana Rocha de Freitas & Mateus Campos

Publicado em: on Julho 5, 2007 at 6:43 pm Deixe um comentário