Instantes

Queria tirar uma foto
para congelar a alma
de um momento que gostei.
Mas o espírito não reside na imagem
e sim nas sensações.
Vou me lembrar de como me senti?

Queria parar o mutável
para interromper o fluxo da água
de um rio que não vejo na cidade.
Mas os carros à frente se adiantam
e o pelotão invisível marcha.
Por que não se deter às vezes?

O filme vai sempre para um fim
que as pessoas acompanham, mesmo
de cabeça baixa.
A lógica deve ser fixa?

Vai chegar o dia
quando enfim vão perceber:
sim, há mesmo um reflexo no espelho.
Vão ver que nem sempre
é preciso andar para evoluir.

Estou parado.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Outubro 16, 2009 at 2:19 am Comentários (1)

Desfazendo

*Para Mary e seu aniversário

Todos os anos uma vela se acende
só para ser consumida em seguida
em um ritual sem senso.
Ela nos lembra que o tempo
é marcado e dominado pelo fogo
símbolo da despedida e da
pequena morte.
Pois a grande despedida já vem
e não será definitiva.

Hoje, dia em que as circustâncias te levam
mais um pouco de vida, fecha os olhos;
preenche com a fumaça da chama recém-extinta
o vazio do peito.
O ar carregado com acenos de mãos.

Vai, e volta se quiser.
Aqui vai ter sempre um lar.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Setembro 25, 2009 at 8:05 pm Comentários (3)
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Quintal de Quental

Como são os que querem comover?
Como ver os que querem comoção?
Como sim como não
como vêm como veem
comover comoção.
Como? Veem o que são?
Sim, e como comovem!

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Agosto 26, 2009 at 3:43 pm Comentários (1)
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À parte

O Menino comeu um pedaço de pão
e deixou cair algumas migalhas na toalha
quis saber o que tinha debaixo delas.
Perto das migalhas estava uma xícara
de café com um golinho só e a colherzinha.
Os cristais de açúcar pareciam queimados.

O Menino percebeu que a migalha mais perto
do seu braço era duas vezes maior que aquela
ao lado da xícara.
Achou interessante, fascinante até, o coração
cheio de uma coisa que não conhecia
mas sabia que era boa.

O Menino notou na mesa uma formiga
abrindo um caminho para o doce que ele
segurava na mão esquerda.
E no caminho da formiga ela precisava desviar
das migalhas que ele havia deixado cair
e a formiga nem tomava conhecimento
dos obstáculos daquele lugar imenso para ela.
Queria chegar ao doce como fosse, o Menino pensou.

Mas ninguém viu nada disso.
Ninguém viu o menino, o pão que ele comeu
as migalhas, a xícara, a colher, o açúcar
a formiga.
Ninguém quis saber o que tinha debaixo das migalhas.
Só o Menino.

***

A exemplo do que aconteceu com o conto, tinha escrito essa poesia em um concurso na Flip. Mas precisava ser inédita, então apaguei do blog. Enfim, aqui está ela de volta.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Agosto 9, 2009 at 1:04 am Comentários (1)
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Anemia Profunda

Aconteceu uma inclosão dentro do peito

em um lugar que chamam de coração.

Cada um foi me ruindo uma parte, um lugar

pegando de volta o que lhe é de direito.

Tempo de desavaporar.

Será então?

(16/07/09 – 8:46)

(Monique Souza Prevedel)

Publicado em:  on Julho 16, 2009 at 12:44 am Deixe um comentário

O azul, o amarelo e o vermelho

A noite que não terminou
a noite que jamais vai ter fim para nós dois
o caminho que certamente continua.
A embriaguez quer me dizer que nada foi
mas seu toque, gosto e cheiro são a prova
de que você é real. Aconteceu.
Aconteceu quando era para ser.
Não antes, ou depois.
No momento exato.

Pois a minha mão continua
repousada sobre a sua.
Toda a flor terá o seu aroma.
Todo o mar refletirá a sua imagem.
Tudo eternizado pelos beijos mais macios.

Se o caminho de volta levasse
à minha morte e me perguntassem
se conheci a felicidade, diria que
sim, e que ela atende por um nome.
O seu nome.

A espontaneidade pode ser o maior defeito
e, no entanto, nesse momento vejo como
a maior qualidade.

O olhar e o sorriso que vieram há tempos
me abraçaram na noite que não terminou.
Quero deitar sobre você, ver a chuva
e pensar que ela também é um presente
da noite que não terminou.
Porque a partir de agora será sempre noite.
A nossa noite.

***

Mateus Campos jamais poderia se esquecer. E muito menos Gustavo Hitzschky.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Julho 11, 2009 at 9:21 am Deixe um comentário

Mensagem pontual

Meu primeiro e último pensamentos do dia
e o que vem entre aquele e este
a ideia fixa me diz que se vai no fim
mas isso não convence que acabou.
A travessia tão longa vai valer
ainda mais do que já significa.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Julho 10, 2009 at 1:03 pm Deixe um comentário

Another storm

The storm that was once becoming calm
now trembles with thunder, lightening
and words of excitment and lust.
It is not drizzling anymore
and the water pours hard gushing
the liquid of life everywhere.

The umbrella is gone;
even if there was one, I would not
protect myself from this divine gift.
How I longed for a moment like this
triumph of time over a large period
of drought.
When you opened your mouth, the rain started.
We are soaking wet.

And that is exactly how
I want to be.
Complete, full, fulfilled
satisfied.
All because of you, because of
those combinations of sound
crying out for my mouth.
But that is not where fine
liquids come from.

Come.
Together we shall cause the rain.
Not one at a time, but the two
of us like it should be.
When clouds meet up in the sky
when lightening strikes
when a raindrop touches your ground
when two turns into one.

That is just nature being itself.
That is the beauty of life.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Junho 30, 2009 at 3:40 am Deixe um comentário

Daphne & Apollo

Even though I promise
I won’t bite, life often will.
When it does, let me help.
You drew a picture not on the window
but in my heart.

Your inner mirror shows a greatness
my eyes can see
although you stand near the ground.
Because a graveyard doesn’t mean
something bad and that is
what your face tells me.

I shall laugh at your jokes
and with you
no matter how different our choices.
Remember,
always the heart, never the reason.

You don’t have to be afraid
of the unknown. Let your body
drift over the waves of the
new sea.
Then and only then
you will realize it was worth it.

Don’t you wish you were a tree
when I hold you in my arms.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Junho 21, 2009 at 3:56 am Deixe um comentário
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La belleza está en la finitud

La belleza está en la finitud.
Una vida es lo que es solo por la muerte
pues la felicidad no es hecha para durar.
Lo corto, lo rápido, lo que se nos escapa
como el viento suave en una noche estrellada
cuando pienso por que ha acabado.
Porque hay que acabar.
El amor, por lo que significa, tiene que ser
breve como una mirada inicial;
fuerte como la tormenta y con la certeza
de que las nubes oscuras pasarán.
A veces se va el amor y se queda el alma.
Si parto antes de ti, dejo el alma contigo
para que la cuides; la conoces mejor que yo.
De todas maneras, ella ya te pertenece.
Porque hay que acabar.

Postado por Mateus Campos

Publicado em:  on Maio 30, 2009 at 6:02 pm Comentários (1)
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