E lá se vai mais um manezinho…
Não aquele bailarino de pernas tortas,
mas um cavalheiro, um guerreiro, um brasileiro.
As madeixas cacheadas saltitantes
e o grito indefectível iniciavam a sinfonia.
Que podia durar horas, e ninguém se importava.
A orquestra tinha como palco a França, principalmente.
Porém o coração esteve sempre do lado de cá.
A arma machucava com o golpe esquerdo.
Mas todos aplaudiam aquela barbaridade.
O inimigo morria com um sorriso nos lábios.
Não se podia crer.
Não se podia crer como alguém tão magro,
esquálido até,
tivesse uma potência tão assustadora.
E ele respondia com carisma.
Era uma humildade honesta.
Era um caráter irretocável.
Era um guerreiro incansável.
Era alguém que ria da adversidade.
Era o representante de todas as nações.
Era um campeão com qualidades quase infinitas.
Era a personificação daquilo que se espera de uma lenda.
É…
E acabou.
Sai o lutador, entra o ser humano.
Que agora deve ficar longe das arenas.
A memória, entretanto, não há de falhar.
Falaremos sobre ele, escrevemos em sua homenagem.
E mesmo assim, retribuir à altura será impossível.
As lágrimas que vertemos vêm involuntárias
embaçam e transbordam a garganta.
Você veio e se foi tão rápido.
Mas o que fez… Sem igual.
Em uma palavra,
obrigado.
***
Gustavo Kuerton encerrou hoje (ontem), 25 de maio de 2008, sua carreira como tenista profissional. Ele conquistou 20 títulos de simples e deixa as quadras com 31 anos de idade. Isso é o mínimo que acho que posso fazer por um cara que me fez querer ser como ele, sendo que até fiz aulas de tênis durante alguns anos. Valeu, Guga!
Abaixo, a despedida de Guga dos torneios oficiais aqui no Brasil.
Postado por Mateus Campos