Grande

Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com a tesoura de prata… Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura… E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:
- “Meu amor!…”

Um dos muitos trechos memoráveis de Grande Sertão: Veredas. Terminei de ler há uns dois dias, se não me engano. Não tenho capacidade nem direito de fazer comentários sobre a obra.

Postado por Mateus Campos

Publicado em: on Janeiro 5, 2009 at 5:00 pm Deixe um comentário
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Moimeichego

Sim, atraio os melhores para mim.
Sempre – ou quase.
Que me adianta tanto, se no final, pouco?
À frente é só o umbigo.
Expressão que apodrece no espelho
enquanto me afogo na própria imagem.

***

O título do poema é o nome de um personagem de um conto de Guimarães Rosa, chamado “Cara-de-Bronze”. Na falta constante de minha criatividade, decidi usar esse nome.

Postado por Mateus Campos

Publicado em: on Agosto 13, 2008 at 12:04 am Deixe um comentário
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