Pode ser um rio largo que corre
incansável ou um pequeno riacho
que desavança preguiçoso
porque sabe que a pressa e a calma
vão levá-lo ao mesmo lugar
uma estrada de asfalto ou cascalho
estreita e cheia de curvas
que dançam suave no seio da selva
um viver muito perigoso de caminhos
decerto incertos mas sempre
com escolhas que no fim se mostram
apenas escolhas
porque não importa de onde saímos
ou para onde vamos
travessia…
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Travessia
Grande
Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com a tesoura de prata… Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura… E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:
- “Meu amor!…”
Um dos muitos trechos memoráveis de Grande Sertão: Veredas. Terminei de ler há uns dois dias, se não me engano. Não tenho capacidade nem direito de fazer comentários sobre a obra.
Postado por Mateus Campos
Moimeichego
Sim, atraio os melhores para mim.
Sempre – ou quase.
Que me adianta tanto, se no final, pouco?
À frente é só o umbigo.
Expressão que apodrece no espelho
enquanto me afogo na própria imagem.
***
O título do poema é o nome de um personagem de um conto de Guimarães Rosa, chamado “Cara-de-Bronze”. Na falta constante de minha criatividade, decidi usar esse nome.
Postado por Mateus Campos