El maestro silencioso

El maestro silencioso y triste
que nunca sonríe.
Para coordinar los instrumentos
es necesario ritmo, gracia.
Los tiene.
Violín y piano en compaso.
La orquestra no tiembla.
Pulsa.

A pesar de los movimientos delicados
está en una guerra.
Maestro y general a la vez.
El uniforme azul no teme
la multitud verde.
Hoy tampoco teme su propio color.

En la batalla no mata desordenadamente.
Se queda en un rincón esperando
calmo y paciente como la nota
El momento de brillar llega.
Noble, solo
sólo se ve magia en el caminar.
El correr para la muerte no lo asusta.
De esta forma
tiene el mundo a sus pies.

Fuera de sus dominios
el ejército azul sigue grande.
El que carga la diez derrotó
a más de cuarenta mil:
Alrededor, el llanto del público.
Los enemigos murieron.
La sinfonía quedó bella.
Ahora saben que en la tierra
no hay inmortales.

Sonrió.
Y volvió.

21/06/07 – 1:34 p.m.

***

 

Não entendo quase nada de futebol, mas ontem assisti à final da Libertadores entre Grêmio e Boca Juniors. No primeiro confronto, semana passada, deu Boca: 3 a 0 na Bombonera. Novamente, a equipe argentina venceu os brasileiros com expressivos 2 a 0 e conquistaram pela sexta vez a América. O responsável: Juan Román Riquelme, o 10 que, em decisões, quase sempre merece a nota da camisa que ostenta. Estava emprestado ao Boca, agora regressa ao Villarreal da Espanha. Foi-se.

Postado por Mateus Campos

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Perdoe

Este blog está longe de ser religioso ou algo que o valha, mas há uma frase na Bíblia que pode ser aplicada em várias situações. Uma pessoa próxima e querida a mim está atravessando um período bem complicado, e espero que eu possa ajudá-la com conselhos ou somente com a minha presença.

A frase abaixo vai para tal pessoa e a todos que têm dificuldade em entender atitudes que partem daqueles que mais deveriam acudir – pais e supostos amigos, principalmente. São atos, verbos e declarações impensados, incompreensíveis, inconseqüentes e, acima de tudo, que magoam muito. Nenhuma agressão física superaria o grau de ofensa que se pode sentir com certas palavras. As palavras, objetos mais valorizados neste blog e que apresentam força imensurável. Temos que tomar bastante cuidado com o que dizemos e para quem. Pensar e refletir, nem que seja por um momento, é necessário e essencial.

Pai, perdoai-vos, eles não sabem o que fazem.

Postado por Mateus Campos

Um exemplo raro

Acabo de assistir a uma palestra do jornalista Flavio Gomes, repórter e comentarista da ESPN Brasil. Além disso, ele escreve para o site Grande Prêmio e tem um blog no iG.

Poucas vezes sinto orgulho de ser jornalista formado, mas Flavio me faz pensar que a profissão ainda vale a pena. Tem pontos de vista bem parecidos com os meus, principalmente no que diz respeito à internet. Ele afirmou que não precisamos ter tanta pressa para divulgar informações na rede porque é aí que os erros são cometidos – neste momento, um dos chefes de jornalismo de um grande portal olhou para trás e não escondeu o sorriso sarcástico, como se dissesse que a realidade é diferente daquele discurso. Sim, em dito portal eles fazem assim mesmo. Você praticamente ouvia isso dele. As expressões, às vezes, falam mais do que as palavras.

O pior é que quem está se formando tem se apoiado de mais na internet e tem esquecido práticas simples de apuração como um mero telefonema. Flavio avaliou um TCC em 2004, um documentário sobre os dez anos da morte de Senna, e foi o primeiro a falar. Teve que esculhambar o trabalho, como disse, porque o grupo havia errado o nome da maternidade em que o piloto nasceu.

Alguém de vocês ligou para lá para saber se isso é verdade? Eu sei que ele não nasceu lá porque já fiz reportagens sobre ele e liguei para a maternidade.

Sobre Formula 1, quando Felipe Massa cometeu um erro em uma curva na Malásia e saiu da pista, Galvão Bueno, Reginaldo Leme e Luciano Burti passaram a corrida inteira tentando provar que Massa estava correto e que havia sido ousado, mas nenhum deles admitiu a falha. No final, o repórter perguntou ao piloto da Ferrari se ele tinha errado. A resposta foi positiva. E aí Flavio resumiu o que representa o jornalista que age desta forma.

O narrador é quase um animador de torcida.

Parabéns para ele. E que sigamos seu exemplo.

Postado por Mateus Campos

O melhor

Um dos melhores textos que já li. Fernando Pessoa como Álvaro de Campos. Sem mais.

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Postado por Mateus Campos

Amigas para sempre?

Certa vez, uma amiga me disse que preferia andar entre os homens porque eles são mais confiáveis do que as mulheres. Esta, sem dúvida, é uma opinião bem comum entre as moças. Muitas delas (tentanto evitar generalizações) competem em praticamente tudo – visual, relacionamentos, no aspecto econômico, enfim, o que se pode ou não imaginar.

Mario Quintana, sempre genial e desta vez esbanjando bom humor, escreveu sobre isso e resumiu perfeitamente o que acontece entre as mulheres. Amizade, quando se é jovem e pertencente ao sexo que é tudo, menos frágil, não existe. O que há é um imenso, infinito e irracional campeonato em que os pontos conquistados servem para inflar o ego.

Da Amizade Entre Mulheres

Dizem-se amigas… Beijam-se… Mas qual!
Haverá quem nisso creia?
Salvo se uma das duas, por sinal,
For muito velha, ou muito feia…

Postado por Mateus Campos

Vazio ao redor

Mais um trecho retirado do livro Fim de Partida, de Samuel Beckett. Neste momento, o personagem Hamm, praticamente cego, está conversando com Clov, seu criado, e fala sobre a sua condição. Chega à conclusão de que, no final, estaremos sozinhos, e a solidão pode vir mesmo durante o processo. Dá para notar a inércia de uma pessoa que pouco faz quando não tem ninguém com quem compartilhar dores e alegrias, lembrando que habita um universo mutilado e desiludido com o final da Segunda Guerra Mundial.

Um dia você ficará cego, como eu. Estará sentado num lugar qualquer, pequeno ponto perdido no nada, para sempre, no escuro, como eu. Um dia você dirá, estou cansado, vou me sentar, e sentará. Então você dirá, tenho fome, vou me levantar e conseguir o que comer. Mas você não levantará. E você dirá, fiz mal em sentar, mas já que sentei, ficarei sentado mais um pouco, depois levanto e busco o que comer. Ficará um tempo olhando a parede, então você dirá, vou fechar os olhos, cochilar talvez, depois vou me sentir melhor, e você os fechará. E quando reabrir os olhos, não haverá mais parede. Estará rodeado pelo vazio do infinito, nem todos os mortos de todos os tempos, ainda que ressuscitassem, o preencheriam, e então você será um pedregulho perdido na estepe. Sim, um dia você saberá como é, será como eu, só que não terá ninguém, porque você não terá se apiedado de ninguém e não haverá mais ninguém de quem ter pena.

Postado por Mateus Campos