O mundo e nós

Dos poucos autores que conheço, para mim não há quem supere Shakespeare no que diz respeito a metáforas. Dele, li apenas MacBeth, Hamlet e boa parte de Ricardo II, sendo que este último era o que mais estava me agradando. Abaixo, destaco um trecho de Hamlet quando o protagonista fala sobre o homem e como ele consegue contaminar o mundo com a sua prepotência e falsidade.

Ultimamente – e por que, não sei – perdi toda a alegria, abandonei até meus exercícios, e tudo pesa de tal forma em meu espírito, que a Terra, essa estrutura admirável, me parece um promontório estéril; esse maravilhoso dossel que nos envolve, o ar, olhem só, o esplêndido firmamento sobre nós, majestoso teto incrustado com chispas de fogo dourado, ah, para mim é apenas uma aglomeração de vapores fétidos, pestilentos. Que obra-prima é o homem! Como é nobre em sua razão! Que capacidade infinita! Como é preciso e bem-feito em forma e movimento! Um anjo na ação! Um deus no entendimento, paradigma dos animais, maravilha do mundo. Contudo, para mim, é apenas a quintessência do pó.

Não sei se ele pensava assim, mas para mim a terra é maravilhosa. Nós é que a deixamos inabitável com a nossa atitude e postura perante os demais. Vi isso ontem em um filme com o Leonardo di Caprio chamado Diário de um Adolescente, que conta a história de Jim Carroll. Ele dizia o seguinte sobre as pessoas.

I am alone. But not just me. We are all alone.

Não há como discordar.

Postado por Mateus Campos

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