Despedida

Mais um para todos
O derradeiro para mim.
A banalidade abalada do cotidiano
subitamente interrompida:
um dia como outro qualquer
só que mais triste.

Detalhes que sempre estiveram ali
insignificantes
que por sua natureza não eram notados.
O ignorante não sabe que a beleza
repousa onde menos se espera.

Ato que corrói a alma
este, o de recolher o que se levou anos para erguer.
Em cada objeto, lembranças.
Deixo um para não ser esquecido.

Então antes fosse uma pedra
para não sentir.
Mas eu me importo.
O mundo não é de quem sente.
A caminhada final é curta, quase um piscar
então antes fosse longa
para que a hora jamais chegasse.

A cena se encerra com um abraço fugidio
Econômicas, solúveis palavras.
Tudo está dito sem o falar.
Os olhos comunicam e expressam
e, assim,
anos se resumem.
Ir e não voltar.

O coração falha
pois a cada um distribui-se uma parte.
A despedida é a forma mais lenta de morrer.

02/07/07 – 09:10 p.m.

Postado por Mateus Campos

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