Leve, suave e breve

Vamos viver, minha Lésbia, e amar,
e aos rumores dos velhos mais severos,
a todos, voz nem vez vamos dar. Sóis
podem morrer ou renascer, mas nós
quando breve morrer a nossa luz,
perpétua noite dormiremos, só.
Dá mil beijos, depois outros cem, dá
muitos mil, depois outros sem fim, dá
mais mil ainda e enfim mais cem – então
quando beijos beijarmos (aos milhares!)
vamos perder a conta, confundir,
p’ra que infeliz nenhum possa invejar,
se de tantos souber, tão longos beijos.

***

Poema escrito por Catulo, contemporâneo de Júlio César, traduzido brilhantemente por João Angelo Oliva Neto. O professor de estudos Clássicos tem lido vários textos do Catulo e está se tornando um dos meus poetas favoritos. Quando o Doutor Paulo Martins terminou a leitura dessa poesia, ele disse que se arrepiou. E eu também. Não é difícil imaginar por quê.

Postado por Mateus Campos

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