Um poema ridículo dentre os vários

Não consigo colocar significado em cada fonema
Envergonharia os meus mestres que não conheci
Não penso ao pontuar, não escolho exclamações
Que se aparecem porventura são para enganar a mim
A mediocridade de cada linha parida me pede
Constantemente para parar.

Mas não posso e nem quero e nem vou e continuo
Com a certeza de que sou ridículo em cada verso
Pois tudo o que havia para ser escrito já o foi
E de forma muito mais elegante e elaborada que esta
Porque me falta estilo, conhecimento, vivência
Falta o algo mais.

Duas estrofes, seis frases, não importa.
Não há nada mais humano do que tecer
Mesmo que o bordado não cai bem sobre o corpo
Quem quiser explicar algo a alguém que use a matemática.
Nem sei aonde estou indo porque improviso.
Esta é a arte do preguiçoso.

Postado por Mateus Campos

Anúncios

Todo carnaval tem seu fim

Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente – se eu a reconhecia.

O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia do que do seu ar de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo. E os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja…Então, para cortar o soluço que adivinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:

– Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa eu te quero mais, com perdida desesperação e angústia…

Manuel Bandeira na Epígrafe do livro “Carnaval”

Postado por Mateus Campos