Pois que é noite

Pois que é noite; aqui dentro permanece.
Querem guardar o sol do céu para si.
As estrelas, beleza incontestável,
já não podem ser nada. Nada podem
porque nada querem e o não são.

Ao redor é a sombra.
Um contorno, silhueta fraca,
esguia.
Pouca.
Que atraiu a luz. A luz, que desfez
ele ela sem o saber.
Ou antes
sabendo-o ignorando-a cortou-lhe podou-lhe os galhos.

Que então alguém pergunte:
Por que há noite?
Porque à noite.

Ser tão só não é incomum.
O assim é o fato final.
Mas o caminho há de ser uma vereda fértil, florida, extensa e que [esconde o porvir de lá.
É que quando se vê se foi.
E o cosmo, vastidão aparente,
é verdadeiramente pó.

Postado por Mateus Campos

Moimeichego

Sim, atraio os melhores para mim.
Sempre – ou quase.
Que me adianta tanto, se no final, pouco?
À frente é só o umbigo.
Expressão que apodrece no espelho
enquanto me afogo na própria imagem.

***

O título do poema é o nome de um personagem de um conto de Guimarães Rosa, chamado “Cara-de-Bronze”. Na falta constante de minha criatividade, decidi usar esse nome.

Postado por Mateus Campos

Alguém das lágrimas

as lágrimas que sentido têm quando o mundo perdeu todo o sentido.

José Saramago em Ensaio sobre a Cegueira.

Fiz com que o mundo perdesse o sentido, ainda que provisória e temporariamente. Tijolo por tijolo, vou construir tudo de novo, porque uma pessoa merece. E merece por tudo o que já sofreu, e pelo que eu também lhe causei.

Postado por Mateus Campos