Esquecimento

Ontem à noite encontrei versos que resolveram todos os mistérios [do mundo!
Eu vi, vi direitinho como funciona o amor.
Entendi as desilusões, percebi como eram as
alegrias, como as pessoas se apaixonavam
e tudo isso com a ajuda de palavras simples.
Deus, então é assim que funciona?!
A morte, ah, tão fácil de ser explicada
fiquei imaginando por que perdemos anos pensando nela
querendo decifrar algo tão banal.
Amizade, sabedoria, conhecimento, era só esticar a mão.
E eu estiquei.
De repente, eu sabia. Eu soube.
Fiquei igual a uma criança quando aprende algo novo
até elas conseguiriam explicar e entender
milênios de enigmas, dúvidas, perguntas.
Era a vida resumida em poucas letras…

Mas não anotei nada do que vi e me esqueci.

Postado por Mateus Campos

Anúncios

O céu está mais triste

Já não há mais nenhuma pipa no céu.
Mas eu me lembro das rabiolas
feitas com sacolas de mercado.
A visão infantil, simples
de formas de papel flutuando, dançando
ao som surdo de gritos sinceros.

Parece que o mundo encolheu
e a criança não olha para cima.
O céu está mais triste,
a terra mais calada.
A pipa esquecida no telhado
não vai ser a lembrança
de ninguém.

Postado por Mateus Campos

Grande

Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com a tesoura de prata… Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura… E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:
– “Meu amor!…”

Um dos muitos trechos memoráveis de Grande Sertão: Veredas. Terminei de ler há uns dois dias, se não me engano. Não tenho capacidade nem direito de fazer comentários sobre a obra.

Postado por Mateus Campos