Superficialidade na superfície

O mar é raso
talvez como sempre tenha sido
mas jamais mostrado.
A água era escura
e encobria a falta de profundidade.
Porém hoje ela é transparente; uso óculos.

O que vejo são meios abraços
daqueles tímidos, laterais
o verde do mato é fraco e desbotado.
A intensidade não existe.
Tudo é parcial, inacabado
sem vontade de conclusão ou intenção de.

Nem feliz com as alegrias
nem triste com as desilusões
fica aquela letargia pontuada
por um rosto sem expressão.
E os rostos são todos iguais.
E as histórias também.

Acaba que se é não sendo
pelo menos não totalmente
pois há sempre uma dúvida.
A imagem no espelho é o reflexo de quê?
Qual é a diferença entre a conversa de hoje
e a de ontem?

Vamos ficar no meio do caminho com a mão estendida.

Postado por Mateus Campos

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