La belleza está en la finitud

La belleza está en la finitud.
Una vida es lo que es solo por la muerte
pues la felicidad no es hecha para durar.
Lo corto, lo rápido, lo que se nos escapa
como el viento suave en una noche estrellada
cuando pienso por que ha acabado.
Porque hay que acabar.
El amor, por lo que significa, tiene que ser
breve como una mirada inicial;
fuerte como la tormenta y con la certeza
de que las nubes oscuras pasarán.
A veces se va el amor y se queda el alma.
Si parto antes de ti, dejo el alma contigo
para que la cuides; la conoces mejor que yo.
De todas maneras, ella ya te pertenece.
Porque hay que acabar.

Postado por Mateus Campos

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Palavras que eu não tenho

Para Gustavo e o seu aniversário.

no olhar
há um encontro delicado.
olhar por si é fazer
escrito
olhar para escrever
à mão
olhar para dansar

espelho dentro

olhar como encontro
como a música
olhar para dizer
o silêncio
olhar por si é dizer.
há uma descoberta imprevista
no olhar

Bruna

***

Esse foi com certeza um dos presentes de aniversário mais lindos que já ganhei. E a Bru não parou por aí e eu ainda recebi mais. Como eu falei pra ela, ela já me dá um presente por dia simplesmente ao ir para a faculdade e conversar comigo. Bru, você é eterna.

Raridade

Para Bruna

Aquilo que não se explica porque não há necessidade.
Em um mundo no qual as palavras por vezes não ajudam
prefiro tentar compreender com olhares.
No meio de quatrocentos nos achamos.

Quando me deparo com meu reflexo já não sei quem vejo.
Sinto que você mora no cenário dentro
do meu espelho, apesar de a distância física me desmentir.
Sentir é melhor do que ver;
maravilhar-se com prosa e poesia confusas
vale mais que demonstrar e provar pela matemática.

Os nossos pensares são um – entendemo-nos
e não conseguimos no entanto traduzir aos demais
o que acontece. Poucos falam nossa língua.
E um dia eu sei – você, o violão; eu, o piano.

Funcionamos porque há o desinteresse
a troca de favores não faz parte dessa
relação que quase não é humana.
O prazer que temos ao falar é o mesmo
que experimentamos ao ouvir.

Procuro algo para crer, mas é difícil.
Porém, por mais que me tente, a ideia
do acaso não pode ser o bastante nesse caso.
É a metafísica, o trascendental. Destino?
Não me agrada o termo, e sim o que ele denota.

Você é raridade.

***

A Bru é o tipo de pessoa que merece um texto desse por dia. Ela é dessas raras que nos mostram que a vida pode valer a pena. É minha irmã.

Hey Jude

Preciso desse outro post agora, não consigo aguentar e esperar para deixar esse vídeo registrado aqui. Vi no twitter de um amigo meu hoje à tarde e agora à noite, depois de tudo que aconteceu, assisti de novo e me emocionei.

Sei que é um vídeo de propaganda, mas não deixa de ser menos tocante e lindo por esse motivo. Mais de 13 mil pessoas cantando Hey Jude na Trafalgar Square, em Londres, deve ter sido um espetáculo mais do que memorável para quem esteve lá. A multidão parece um só corpo que pulsa junto e momentaneamente se esquece de todo o resto que acontece em sua vida. Incrível como a música tem essa capacidade de aproximação e sintonia entre os homens. A celebração entre eles é única.

Gostaria que todos os dias começassem e terminassem com Hey Jude.

Postado por Mateus Campos

Poema Veinte

Poema de Pablo Neruda

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: ” La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

***

É bom colocar de vez em quando aqui texto dos verdadeiros mestres da palavra para ver como se constrói uma boa poesia. Após uma conversa virtual e a leitura do poema, escrevi uns torpes versos também. Seria um insulto postá-lo logo após essa obra-prima de Neruda. Algum dia, talvez. Mas temo que faça parte da relação interminável que tenho de textos que não merecem ser publicados. Aliás, frequentemente acho que nada do que escrevi aqui é digno de ser lido por qualquer pessoa. Chega a ser perda de tempo para os meus três leitores os quais tanto admiro, e tempo é justamente o produto que mais seria vendido no mundo de hoje, caso fosse possível. Desculpem, não foi um bom dia. Na verdade, acho que no fundo não tem sido há uns dois meses. Mas não se pode parar. De alguma forma…

Postado por Mateus Campos

Mestre sob qualquer aspecto

Gustavo,
ojalá este libro se quede en tu corazón y te susurre algo de vez en vez,
un abrazo,
Guillermo Arriaga

Devia ter postado isso há muito tempo, na verdade. Mas tudo bem. Foi no dia 15 de agosto de 2008, se não me engano, que vivi um dos momentos mais memoráveis da minha vida. Consegui conversar com o escritor e roteirista mexicano Guillermo Arriaga, que vinha ao Brasil para promover o lançamento de seu livro “Esquadrão guilhotina”. Foi numa sexta-feira que ele esteve presente na Fnac paulista, um dia antes de participar de uma palestra na Bienal do Livro à qual também fui.

Depois de falar sobre a sua nova obra, Arriaga abriu espaço para algumas perguntas. Dias antes, eu tinha terminado de ler “O Búfalo da Noite” e de assistir ao filme homônimo. Indaguei Arriaga acerca do fato de livro e filme serem tão díspares, especialmente na porção final. Queria saber se aquilo tinha sido fruto de uma liberdade que ele concedeu ao diretor (já que Arriaga participou da adaptação) ou se ele optara deliberadamente por criar um final alternativo. Na sinceridade, Arriaga falou que, depois do que foi feito com o filme, acreditava que não permitiria mais que suas obras impressas migrassem para as telonas, mostrando-se bem decepcionado com o resultado.

No final, Arriaga pacientemente atendeu as pessoas que estavam lá. Eu, groupie que sou, fui até ele e lhe pedi que assinasse meu livro. Fique triplamente feliz quando ele elogiou meu espanhol, escreveu a dedicatória que abre esse post e ainda permitiu uma foto. É impressionante como a gente passa a admirar ainda mais uma pessoa não somente pelo talento que ela tem, mas quando nota que é alguém extremamente simpático e humilde. Queria muito encontrá-lo nem que fosse para agradecer a ela novamente. Guillermo Arriaga é mestre em todos os sentidos.

Agradecimentos eternos a Monique Prevedel, que me avisou sobre a ida de Arriaga à Fnac. Com certeza não teria conseguido conversar com ele se o visse apenas na Bienal. Na Fnac, havia no máximo 15 pessoas; na Bienal, centenas. E os dois eventos aconteceram em menos de 24 horas de diferença. Parece difícil de acreditar.

Postado por Mateus Campos