Mestre sob qualquer aspecto

Gustavo,
ojalá este libro se quede en tu corazón y te susurre algo de vez en vez,
un abrazo,
Guillermo Arriaga

Devia ter postado isso há muito tempo, na verdade. Mas tudo bem. Foi no dia 15 de agosto de 2008, se não me engano, que vivi um dos momentos mais memoráveis da minha vida. Consegui conversar com o escritor e roteirista mexicano Guillermo Arriaga, que vinha ao Brasil para promover o lançamento de seu livro “Esquadrão guilhotina”. Foi numa sexta-feira que ele esteve presente na Fnac paulista, um dia antes de participar de uma palestra na Bienal do Livro à qual também fui.

Depois de falar sobre a sua nova obra, Arriaga abriu espaço para algumas perguntas. Dias antes, eu tinha terminado de ler “O Búfalo da Noite” e de assistir ao filme homônimo. Indaguei Arriaga acerca do fato de livro e filme serem tão díspares, especialmente na porção final. Queria saber se aquilo tinha sido fruto de uma liberdade que ele concedeu ao diretor (já que Arriaga participou da adaptação) ou se ele optara deliberadamente por criar um final alternativo. Na sinceridade, Arriaga falou que, depois do que foi feito com o filme, acreditava que não permitiria mais que suas obras impressas migrassem para as telonas, mostrando-se bem decepcionado com o resultado.

No final, Arriaga pacientemente atendeu as pessoas que estavam lá. Eu, groupie que sou, fui até ele e lhe pedi que assinasse meu livro. Fique triplamente feliz quando ele elogiou meu espanhol, escreveu a dedicatória que abre esse post e ainda permitiu uma foto. É impressionante como a gente passa a admirar ainda mais uma pessoa não somente pelo talento que ela tem, mas quando nota que é alguém extremamente simpático e humilde. Queria muito encontrá-lo nem que fosse para agradecer a ela novamente. Guillermo Arriaga é mestre em todos os sentidos.

Agradecimentos eternos a Monique Prevedel, que me avisou sobre a ida de Arriaga à Fnac. Com certeza não teria conseguido conversar com ele se o visse apenas na Bienal. Na Fnac, havia no máximo 15 pessoas; na Bienal, centenas. E os dois eventos aconteceram em menos de 24 horas de diferença. Parece difícil de acreditar.

Postado por Mateus Campos

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2 comentários sobre “Mestre sob qualquer aspecto

  1. Olá Mateus,

    Não li o livro. Mas acabei de ver o filme e fiquei um pouco revoltado. Não que eu seja um expert em cinema e muito menos em literatura, muito longe disso. Mas não suporto o fato de não conseguir entender alguma coisa. Ao término do filme, quase jogo o controle no chão, indignado. Será q é pouca inteligência minha, será q tentei viajar a fundo demais na obra? Não sei. Mas realmente não entendi o filme, o que de fato me motiva a buscar o livro, especialmente pela tua propaganda aqui.
    Tenho me deparado com algumas críticas a respeito do filme de Hernandez, ao nevagar agora pela internet, a maioria ruins. Uma delas dizia que o filme era confuso e cheio de metáforas desnecessárias. Como realmente não sou lá mto crânio para entender subjetividades que exijam mto, confesso que não consegui captar (uso consegui prq realmente tentei) o real significado do búfalo.. Enfim, só para mostrar a minha indignação e expor a minha possível ingnorância diante à pelicula.

    Gracias,
    Gabriel

  2. E aí, Gabriel, tudo certo?
    Antes de mais nada, muito obrigado pelo seu comentário.
    Acredito que você teria ficado ainda mais revoltado se tivesse lido o livro antes, pois a diferença entre os dois, a partir de determinado momento, é absurda!
    E não precisa se subestimar, tem muitas coisas que eu também não consigo captar em livros e filmes, mas acredito que isso seja uma coisa que a gente adquira com a prática. Quanto mais você tem contato com as diferentes manifestações de arte, mais você aprende a interpretar aquilo. Minha sugestão é que você converse com pessoas para ver o que elas acharam e tudo o mais, e leia ou assista mais de uma vez se for necessário. Não sei se você tem costume de ver a série Lost, mas ela é ótima pra gastar horas e horas conversando com pessoas que a assistem e criar várias interpretações sobre o que acontece na ilha.
    Com relação ao búfalo, vou partir da análise que fiz aqui no blog mesmo sobre ele. Me parece que ele é uma metáfora sobre a ligação extremamente forte que o Manuel tem com o Gregorio. Tanto que o primeiro tenta retirar a tatuagem à força, mas não consegue, e o Manuel também muitas vezes tem opiniões que não são dele, mas sim do Gregorio. E os sonhos de loucura e devaneio que o Gregorio tinha passam a incomodar também o Manuel, o que denota como eles são próximos.
    Desculpe me alongar.
    Obrigado mais uma vez e qualquer coisa estamos aí.
    Abraços!

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