Instantes

Queria tirar uma foto
para congelar a alma
de um momento que gostei.
Mas o espírito não reside na imagem
e sim nas sensações.
Vou me lembrar de como me senti?

Queria parar o mutável
para interromper o fluxo da água
de um rio que não vejo na cidade.
Mas os carros à frente se adiantam
e o pelotão invisível marcha.
Por que não se deter às vezes?

O filme vai sempre para um fim
que as pessoas acompanham, mesmo
de cabeça baixa.
A lógica deve ser fixa?

Vai chegar o dia
quando enfim vão perceber:
sim, há mesmo um reflexo no espelho.
Vão ver que nem sempre
é preciso andar para evoluir.

Estou parado.

Postado por Mateus Campos

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Um comentário sobre “Instantes

  1. nossa, gu, que poema lindo! caramba, eu gostei demais, como assim você acha que é o seu fim? meu deus, isso tá lindo.
    não sei se já falei alguma vez, mas gosto muito de sentimentos e ideias contraditórias que convivem, isso para mim está claro no seu poema, pelo menos do jeito em que eu o entendi.
    destaque para:
    “Queria tirar uma foto
    para congelar a alma
    de um momento que gostei.
    Mas o espírito não reside na imagem”
    Tão sonoro e com os cortes nos lugares certos, certíssimos, a atenção recai nas verdadeiras tônicas das ideias. 🙂
    E isso:
    “nem sempre
    é preciso andar para evoluir.

    Estou parado.”
    Nunca tinha pensado sobre isso, que coisa mais bonita, Gu! Um pouco triste também, e lindo como tudo o que você escreve que é triste..

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