Nada pode ser tão delicado quanto o contato com a pele feminina

Nada pode ser tão delicado quanto o contato com a pele feminina. Se paramos para pensar – o que certamente é algo que não deve ser feito em excesso – é como que um papel delicado, de uma alvura que comove. Deslizar a mão sobre o corpo de uma mulher é um ritual que não exige pressa, porém sensibilidade. Se puder ser feito com os olhos fechados, tanto melhor, pois privar-se de um sentido só faz aguçar um outro. E o toque pode ser realizado de várias maneiras: na forma de um abraço, um carinho em que acariciamos com a palma e as costas da mão, ou apenas com a ponta dos dedos, uma massagem suave sobre os braços nus… E igualmente prazeroso é ser tocado por uma mulher. As mãos pequenas, que ao menor contato fazem arrepiar; os dedos finos, que de tão leves soam como gotas de águas que descem pelo rosto, pelos braços… É um universo à parte que, se chega a existir, não dura mais que uns poucos segundos. Ainda assim – ou antes, justamente por isso – ele consegue ser mais intenso do que qualquer universo que possamos encontrar.

Mateus Campos

Muitas ações são feitas sem que se tenha consciência do quanto ferem

Muitas ações são feitas sem que se tenha consciência do quanto ferem. Nesse caso, de quem é a culpa? Da pessoa que realizou tal ação ou daquela que se sentiu atingida, ainda que em várias ocasiões determinado ato nem tenha sido praticado para machucá-la? Saber de quem é a culpa é o de menos, e talvez nunca se saiba. Talvez seja uma culpa compartilhada, talvez não haja culpa. Para evitar esse tipo de situação – ser agressor ou agredido – o mais indicado a fazer é buscar um isolamento. É não ir atrás de pessoas ou eventos em que alguém possa se deparar com a situação fatídica. E são muitos os que já entenderam como funciona essa lógica. É por isso que o mundo é um lugar cada vez mais esvaziado. São muitas as pessoas, poucas as relações.

Mateus Campos

O modo mais acurado de se expressar tristeza

O modo mais acurado de se expressar tristeza não é chorando copiosamente ou flagelando-se. É olhar em silêncio para o nada em redor – não há um gesto mais forte que esse para exprimir um estado negativo de alma. Tem-se a ideia de que as pessoas silenciosas são as mais tímidas, mas isso nem sempre corresponde à realidade. Não se diz nada porque, há muito, tudo o que realmente valeria a pena mencionar já foi dito, e o que resta é um mundo de relações esvaziadas entre os homens numa teia de superficialidade que os oprime. Guardar silêncio, então, é a forma mais sonora de dizer que algo não vai bem.

Mateus Campos