Londres, a despedida

Existem povos de diferentes origens e religiões morando em Londres. Talvez eles não se gostem – isso é algo que nunca vou conseguir saber -, mas pelo menos eles se respeitam. As pessoas lá pedem perdão quando eu esbarro nelas. A culpa pode ter sido minha, mas não importa: elas é que se desculpam. Quando preciso de uma informação, ela vem até mim acompanhada de um sorriso.

Há também muitas coisas para se fazer em Londres. Dá para andar de bicicleta no Hyde Park, observar dinossauros e ver como funciona um terremoto no Museu de História Natural, andar pelas ruas da Oxford Street, ir a espetáculos em Piccadilly Circus e visitar tantos outros lugares como Trafalgar Square, British Museum e Library, National Gallery, Palácio de Buckingham… Até andar de metrô e ônibus por Londres é uma experiência agradável: o transporte é caro, mas o preço elevado é justificado por conta da eficiência.

Londres tem apenas um defeito: o clima. Chove muito, venta demais. Porém, ainda que eu não goste disso, esse cenário todo me deixa feliz porque me faz lembrar Sherlock Holmes e ter saudade de algo que nunca tive.

Por tudo isso, Londres, embora você tenha essa pequena falha, não importa o que você faça agora que eu te conheço… Eu te perdoo sempre.

Londres 2

Eu ando pelas ruas de Londres pela última vez. Meio bêbado. E me dá uma vontade de chorar. Ando bem devagar, não querendo que a caminhada termine. Mas ela vai terminar. Me despeço de Priscila e lhe digo: “Não sei quando vou te ver de novo”. Depois me despeço de Paulo, “Pevê, não sei nem como vou fazer para te agradecer o suficiente um dia”. A despedida de Glauber é mais amena porque ele ainda vai me acompanhar ao aeroporto.

É uma noite muio fria. Choveu o dia todo. Há um vento que às vezes sopra mais forte, mas tudo é muito agradável. Estou andando pela Tooley Street e ali na frente está a Tower Bridge. Não vou mais precisar fazer compras no Tesco. Ou pegar ônibus de dois andares. Nunca andei tão devagar quanto agora. Estou com vontade de ligar para todos os meus amigos daqui. Uma raposa passa na minha frente pelo segundo dia seguido. Encontro um balão azul na rua, esses de festa. Não há nada para comemorar. A minha vontade é simplesmente sentar em um banco e ficar ali.

Recebo uma mensagem de Priscila. “Se não conseguir pegar o metrô, avisa!” Essas palavras tão banais me comovem. Estou chorando sozinho no meio da rua e ninguém pode ver essa cena patética.

A minha Londres.

Mentira

Uma das coisas mais difíceis para mim é fingir felicidade. Mas não quando me encontro diante de alguém – nessas situações, me considero bem hábil para mentir. O problema é escrever simulando um estado de espírito positivo. Meu texto é muito mais transparente que a minha expressão. Não sei mentir quando escrevo. Só quando falo.