Caminhos

Os caminhos em linha reta, a não ser por algum obstáculo como buracos ou desníveis, são fáceis de serem atravessados. É um desafio pequeno, modesto, quase nulo. Não têm o desconhecido e por isso não interessam. As curvas me atraem. Um caminho cheio delas é delicioso. Não é possível ver o seu fim e ficamos à espera de uma surpresa a cada movimento. As curvas podem ser acentuadas ou leves e têm uma variedade de possibilidades que é sedutora. Um prazer único, as curvas. Sempre as curvas.

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Charmante

Seu charme era universal porque não dependia de palavras – ele se concentrava nos olhos e no sorriso. Os olhos eram grandes e pareciam atrair toda a luz para eles, de modo que aqueles que o contemplavam, ainda que involuntariamente, sorriam. Não fossem tão doces, o tamanho deles assustaria. O sorriso, ao contrário, era encantador não por ser amplo, mas justamente porque era contido. Ao sorrir, ela nunca mostrava os dentes, e os lábios se limitavam a estender-se lateralmente, formando um arco e provocando algumas dobrinhas (que não chegavam a ser covinhas) nas bochechas.

Toda a sua figura pequena também se destacava quando dançava nas festas. Não porque fazia gestos majestosos ou usava roupas que chamavam a atenção, mas porque havia um detalhe encantador que poucos reparavam: as mãos. Quando ela girava, tinha o costume de levar uma das mãozinhas em direção ao rosto, como se fosse apoiar o queixo, porém nunca o fazia. A mãozinha apenas se aproximava do rosto, e nesse momento ela fitava os olhos daquele com quem dançava e abria o seu meio sorriso. Isso bastava para fazer com que os jovens perdessem o ritmo, caso tivessem a sensibilidade de notar esses detalhes. Ao final de cada música, invariavelmente ela agradecia com um “obrigada” sincero, dava as costas e saía. Muitos rapazes demoravam alguns segundos para perceber que a canção já tinha acabado e que ela não estava mais ali.