Sweethearts

No sonho, éramos desconhecidos e namorados. Ela era baixa, tinha cabelos pretos e dentes muito brancos. Tinha um sorriso tímido e brilhante nos olhos e me olhava com alguma desconfiança, mas não com uma desconfiança hostil; era como se fosse uma criança que via alguém pela primeira vez e, como sempre acontece, trazia no olhar ao mesmo tempo uma curiosidade, um receio e um convite. Eu a amava como nunca pude amar ninguém que existiu.

Estávamos ora caminhando por um condomínio, ora em um apartamento. Tínhamos medo. Por causa desse medo, como em geral ocorre entre desconhecidos, estávamos muito unidos e tínhamos sobre o que falar. Não parávamos de andar.

O motivo do medo era uma cobra coral que nos perseguia. Era uma cobra coral com o corpo grosso, muito diferente de como elas são de fato. Eu sabia que assim que a matassem eu acordaria. Estava preso e queria estar, ao mesmo tempo em que uma angústia me apertava porque sempre que parecíamos a salvo, a cobra ressurgia.

Alguém matou a cobra com uma faca. Suspirei. Voltei-me para a menina e a beijei. Tenho quase certeza de que foi o nosso primeiro beijo. Foi certamente o último.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s