Limbo

Era uma criança como outra qualquer, só que mais triste. O que a tornava triste não era a voz e nem alguma expressão que dava pena. Mas os olhos… os olhos eram azuis. Em ambos, do lado mais perto das têmporas, uma pequena parte da pele se deslocava para baixo, como se os olhos se fechassem apenas naquele pontinho. Era isso que deixava os olhos tão tristes e a criança também. Aquele rosto, apesar das sardinhas, e aqueles olhos, por mais que tentassem, nunca poderiam sorrir.

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