Londres 2

Eu ando pelas ruas de Londres pela última vez. Meio bêbado. E me dá uma vontade de chorar. Ando bem devagar, não querendo que a caminhada termine. Mas ela vai terminar. Me despeço de Priscila e lhe digo: “Não sei quando vou te ver de novo”. Depois me despeço de Paulo, “Pevê, não sei nem como vou fazer para te agradecer o suficiente um dia”. A despedida de Glauber é mais amena porque ele ainda vai me acompanhar ao aeroporto.

É uma noite muio fria. Choveu o dia todo. Há um vento que às vezes sopra mais forte, mas tudo é muito agradável. Estou andando pela Tooley Street e ali na frente está a Tower Bridge. Não vou mais precisar fazer compras no Tesco. Ou pegar ônibus de dois andares. Nunca andei tão devagar quanto agora. Estou com vontade de ligar para todos os meus amigos daqui. Uma raposa passa na minha frente pelo segundo dia seguido. Encontro um balão azul na rua, esses de festa. Não há nada para comemorar. A minha vontade é simplesmente sentar em um banco e ficar ali.

Recebo uma mensagem de Priscila. “Se não conseguir pegar o metrô, avisa!” Essas palavras tão banais me comovem. Estou chorando sozinho no meio da rua e ninguém pode ver essa cena patética.

A minha Londres.