Dez coisas boas

1- Silêncio
2- Abraço
3- Ouvir discos em uma vitrola
4- Andar de bicicleta
5- Tomar sorvete de Nocciola
6- Ler qualquer coisa do Guimarães Rosa e do Tolstói
7- Dançar rockabilly
8- Conversar com a Bruna de Carvalho
9- Escrever e mandar uma carta por correio
10- A torcida do Liverpool cantando “You’ll never walk alone” e os irlandeses cantando “The Fields of Athenry” durante a Euro 2012  perdendo de 4 a 0 para a Espanha.

Graveto verde

Um dos irmãos de Tolstói, Nikolai, dizia a ele quando eram pequenos que possuía um segredo que faria a humanidade viver uma nova era de ouro e que havia gravado tal segredo num graveto na floresta de Zakaz. Dois anos antes de morrer, Tolstói ditou o seguinte:

Embora seja um assunto desimportante, quero dizer algo que eu gostaria que fosse observado após a minha morte. Mesmo sendo a desimportância da desimportância: que nenhuma cerimônia seja realizada na hora em que meu corpo for enterrado. Um caixão de madeira, e quem quiser que o carregue, ou o remova, a Zakaz, em frente a uma ravina, no lugar do “graveto verde”. Ao menos, há uma razão para escolher aquele e não qualquer outro lugar.

Soulstripper

Você é o meu primeiro e o meu último pensamento do dia. Mas no caminho entre os dois eu penso em tantas outras garotas…

Você não é a única, mas talvez seja a mais importante. Pelo menos por um tempo.

Essa música não foi feita pra você, mas tudo bem eu cantar como se fosse?

Você já repetiu a mesma frase várias vezes e falou que é a última vez que diz que não me quer. Quando vai ser a primeira vez que diz que me quer?

Você me machuca, me deixa triste, me decepciona, me humilha… Será que é por isso que eu gosto tanto de você?

Quando estou longe, quero ficar perto. Quando estou perto, quero ficar longe.

Talvez eu te queira só porque você não me quer.

Não queira me conhecer. Só vamos dar um passeio de mãos dadas. Assim já está bom.

Você fala mal do meu cabelo, da minha roupa, do meu jeito… E mesmo assim não consegue ficar longe de mim.

Você me mostrou como dói um coração partido. Ainda bem que hoje ele já está bem calejado.

A diferença entre a garota que me quer e a que não me quer é que a segunda é muito mais inteligente.

Tenho que correr atrás do prejuízo. Tenho que correr atrás de você.

Você só gosta de caras estranhos, o que significa que eu ainda tenho chance.

Às vezes você me faz bem. Mas eu gosto mais quando me faz mal.

Mas foi só uma vez… e você já se apaixonou?

“Eu te odeio” e “Eu te amo” têm data de validade. Deixa isso pra lá.

Em todo o tempo que a gente ficou junto, eu nunca te disse “eu te amo”. Está vendo como eu gostei tanto de você?

É claro que eu penso muito em mim. Você não pensa nem um pouco…

Eu fico com saudade, olho a sua foto, e pra tentar te esquecer me lembro do quanto a gente brigava. Mas aí eu só consigo me lembrar dos momentos bons e de como valia a pena discutir pra poder te abraçar depois de fazer as pazes.

Estou com uma vontade meio incontrolável de você.

Eu não sei o que você tem. Só sei que tem e eu gosto muito.

Quando não tenho nada pra fazer, penso em você. Quando tenho muita coisa pra fazer, penso em você.

Um rock, uma cerveja e você.

Lógica

A gente faz tanta coisa sem pensar que, quando se dá conta de uma atividade que é automática, essa passa a acontecer com dificuldade. Paro e reflito sobre a respiração, e de repente sinto falta de ar. Quando noto que estou piscando, meus olhos ficam pesados e me custa muito esforço abrir e fechá-los.

Muitas coisas funcionam assim.

Falar não é tão perigoso quanto escrever

Falar não é tão perigoso quanto escrever.

O som propagado no ar evapora rapidamente e não se tem mais vestígios de que um dia ele chegou a existir. Ao contrário, aquilo que está escrito, embora o papel pereça, tem um prazo de validade muito maior.

É por isso que falar não é tão perigoso quanto escrever.

Falar é de fato muito fácil. É de um imediatismo que não me agrada. Sempre fui muito mais do silêncio e da solidão. E poucas atividades são tão solitárias e silenciosas quanto o fazer escrito.

Os textos redigidos pelas minhas mãos se tornam eternos – pelo menos para mim, mas eu espero muito que os destinatários também mantenham a palavra escrita viva; que, ao olhar para aquelas linhas, evoquem a situação em que pela primeira vez elas foram lidas. Com um pouco de sorte, também as sensações daquele dia serão retomadas.

Escrever, portanto, é agir. Falar nem sempre o é.

Escrever seria tão perigoso quanto viver? perguntaria eu, sem, no entanto, receber uma resposta. E não tenho como objetivo encontrá-la. Quem sabe, “escrever” no fundo pode mesmo significar “viver”…

Sexta, 28

Viver é muito perigoso; sonhar também. Tristes o vazio e o silêncio que vêm depois de um mundo que poderia ter sido. Penso na minha vida e nas muitas outras que poderiam ter sido. E fico triste mesmo. Não pelas escolhas que fiz, mas por não poder experimentar, ainda que por poucos minutos, os outros caminhos.

– do “Diário”