Flores – Mario Bellatín

Leitura em espanhol do capítulo “Pensamientos”, do livro “Flores”, de Mario Bellatín.

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Graveto verde

Um dos irmãos de Tolstói, Nikolai, dizia a ele quando eram pequenos que possuía um segredo que faria a humanidade viver uma nova era de ouro e que havia gravado tal segredo num graveto na floresta de Zakaz. Dois anos antes de morrer, Tolstói ditou o seguinte:

Embora seja um assunto desimportante, quero dizer algo que eu gostaria que fosse observado após a minha morte. Mesmo sendo a desimportância da desimportância: que nenhuma cerimônia seja realizada na hora em que meu corpo for enterrado. Um caixão de madeira, e quem quiser que o carregue, ou o remova, a Zakaz, em frente a uma ravina, no lugar do “graveto verde”. Ao menos, há uma razão para escolher aquele e não qualquer outro lugar.

Um fragmento

Queria ser como esses que escrevem letras de músicas românticas. Não essas piegas, vazias, cheias de sentimentalismos. Mas aquelas escritas com a despretensão de serem românticas. Aquelas que começam com um outro objetivo e quase que instintivamente terminam falando de amor, pois tudo que importa é motivado por amor. Sim, eu gostaria muito de ser como eles. Pegaria o lápis todos os dias e despejaria ali a mais pura verdade das minhas sensações quando estou com você. Meu olhar, a minha presença deveriam bastar, mas ah! a força da palavra escrita! E ela não domino. E ela não compreendo. Não, não queria ser como eles. Queria, sim, ter a condição de fazer com que você entenda. Que você se entenda. Queria segurar a sua mão e transmitir com o calor da minha o meu desespero e a minha alegria. Queria que meus beijos sussurrassem o encantamento que experimento ao estar do seu lado. Queria que você não apenas abrisse os olhos, mas que enxergasse. Queria que meus braços tivessem a força para selar um pacto, ainda sabendo que ele teria um prazo de validade bem curto.

Na verdade, não. Não queria nada isso. Queria só que você estivesse aqui, pois todo o resto seriam as folhas de uma árvore no outono.

***

Extraído de nenhum livro e de todos.

Postado por Mateus Campos

Grande

Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com a tesoura de prata… Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura… E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:
– “Meu amor!…”

Um dos muitos trechos memoráveis de Grande Sertão: Veredas. Terminei de ler há uns dois dias, se não me engano. Não tenho capacidade nem direito de fazer comentários sobre a obra.

Postado por Mateus Campos

Pessoas comuns e os supers

I find the whole mythology surrounding superheroes fascinating. Take my favorite superhero, Superman. Not a great comic book. Not particularly well-drawn. But the mythology… The mythology is not only great, it’s unique. A staple of the superhero mythology is, there’s the superhero and there’s the alter ego. Batman is actually Bruce Wayne, Spider-Man is actually Peter Parker. When that character wakes up in the morning, he’s Peter Parker. He has to put on a costume to become Spider-Man. And it is in that characteristic Superman stands alone. Superman didn’t become Superman. Superman was born Superman. When Superman wakes up in the morning, he’s Superman. His alter ego is Clark Kent. His outfit with the big red “S” – that’s the blanket he was wrapped in as a baby when the Kents found him. Those are his clothes. What Kent wears – the glasses, the business suit – that’s the costume. That’s the costume Superman wears to blend in with us. Clark Kent is how Superman views us. And what are the characteristics of Clark Kent? He’s weak… He’s unsure of himself… He’s a coward. Clark Kent is Superman’s critique on the whole human race.

Pode não ser um filme fenomenal, apesar de eu achar divertido pra caramba e de as lutas serem muto bacanas. Essa reflexão que o Bill faz em Kill Bill Vol. 2 foi fantástica, uma análise bem coerente que eu jamais havia me dado conta.

Postado por Mateus Campos

Só entende quem é

Se uma pessoa perfeita do planeta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra se cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderiam essa nuance de vício e esse refinamento de vida.

Clarice Lispector no conto A imitação da rosa

Postado por Mateus Campos