Palavras que eu não tenho

Para Gustavo e o seu aniversário.

no olhar
há um encontro delicado.
olhar por si é fazer
escrito
olhar para escrever
à mão
olhar para dansar

espelho dentro

olhar como encontro
como a música
olhar para dizer
o silêncio
olhar por si é dizer.
há uma descoberta imprevista
no olhar

Bruna

***

Esse foi com certeza um dos presentes de aniversário mais lindos que já ganhei. E a Bru não parou por aí e eu ainda recebi mais. Como eu falei pra ela, ela já me dá um presente por dia simplesmente ao ir para a faculdade e conversar comigo. Bru, você é eterna.

Raridade

Para Bruna

Aquilo que não se explica porque não há necessidade.
Em um mundo no qual as palavras por vezes não ajudam
prefiro tentar compreender com olhares.
No meio de quatrocentos nos achamos.

Quando me deparo com meu reflexo já não sei quem vejo.
Sinto que você mora no cenário dentro
do meu espelho, apesar de a distância física me desmentir.
Sentir é melhor do que ver;
maravilhar-se com prosa e poesia confusas
vale mais que demonstrar e provar pela matemática.

Os nossos pensares são um – entendemo-nos
e não conseguimos no entanto traduzir aos demais
o que acontece. Poucos falam nossa língua.
E um dia eu sei – você, o violão; eu, o piano.

Funcionamos porque há o desinteresse
a troca de favores não faz parte dessa
relação que quase não é humana.
O prazer que temos ao falar é o mesmo
que experimentamos ao ouvir.

Procuro algo para crer, mas é difícil.
Porém, por mais que me tente, a ideia
do acaso não pode ser o bastante nesse caso.
É a metafísica, o trascendental. Destino?
Não me agrada o termo, e sim o que ele denota.

Você é raridade.

***

A Bru é o tipo de pessoa que merece um texto desse por dia. Ela é dessas raras que nos mostram que a vida pode valer a pena. É minha irmã.

Nosso momento num café

À esquerda e à direita
Duas belas separadas por gerações
E algumas cadeiras
Fitávamos diretamente
Sem tentar disfarçar
Eu torcendo o pescoço
Ela esticando o olhar.

Não tiramos os chapéus
Pois estávamos nus como carne exposta
Àquela pulsação de vida mais
Ou menos explicável
A vida
E a alma pouco libertas.

E justo quando falávamos sobre Bandeira
E como podia um dia acontecer…

Postado por Mateus Campos