Um exemplo raro

Acabo de assistir a uma palestra do jornalista Flavio Gomes, repórter e comentarista da ESPN Brasil. Além disso, ele escreve para o site Grande Prêmio e tem um blog no iG.

Poucas vezes sinto orgulho de ser jornalista formado, mas Flavio me faz pensar que a profissão ainda vale a pena. Tem pontos de vista bem parecidos com os meus, principalmente no que diz respeito à internet. Ele afirmou que não precisamos ter tanta pressa para divulgar informações na rede porque é aí que os erros são cometidos – neste momento, um dos chefes de jornalismo de um grande portal olhou para trás e não escondeu o sorriso sarcástico, como se dissesse que a realidade é diferente daquele discurso. Sim, em dito portal eles fazem assim mesmo. Você praticamente ouvia isso dele. As expressões, às vezes, falam mais do que as palavras.

O pior é que quem está se formando tem se apoiado de mais na internet e tem esquecido práticas simples de apuração como um mero telefonema. Flavio avaliou um TCC em 2004, um documentário sobre os dez anos da morte de Senna, e foi o primeiro a falar. Teve que esculhambar o trabalho, como disse, porque o grupo havia errado o nome da maternidade em que o piloto nasceu.

Alguém de vocês ligou para lá para saber se isso é verdade? Eu sei que ele não nasceu lá porque já fiz reportagens sobre ele e liguei para a maternidade.

Sobre Formula 1, quando Felipe Massa cometeu um erro em uma curva na Malásia e saiu da pista, Galvão Bueno, Reginaldo Leme e Luciano Burti passaram a corrida inteira tentando provar que Massa estava correto e que havia sido ousado, mas nenhum deles admitiu a falha. No final, o repórter perguntou ao piloto da Ferrari se ele tinha errado. A resposta foi positiva. E aí Flavio resumiu o que representa o jornalista que age desta forma.

O narrador é quase um animador de torcida.

Parabéns para ele. E que sigamos seu exemplo.

Postado por Mateus Campos