À parte

O Menino comeu um pedaço de pão
e deixou cair algumas migalhas na toalha
quis saber o que tinha debaixo delas.
Perto das migalhas estava uma xícara
de café com um golinho só e a colherzinha.
Os cristais de açúcar pareciam queimados.

O Menino percebeu que a migalha mais perto
do seu braço era duas vezes maior que aquela
ao lado da xícara.
Achou interessante, fascinante até, o coração
cheio de uma coisa que não conhecia
mas sabia que era boa.

O Menino notou na mesa uma formiga
abrindo um caminho para o doce que ele
segurava na mão esquerda.
E no caminho da formiga ela precisava desviar
das migalhas que ele havia deixado cair
e a formiga nem tomava conhecimento
dos obstáculos daquele lugar imenso para ela.
Queria chegar ao doce como fosse, o Menino pensou.

Mas ninguém viu nada disso.
Ninguém viu o menino, o pão que ele comeu
as migalhas, a xícara, a colher, o açúcar
a formiga.
Ninguém quis saber o que tinha debaixo das migalhas.
Só o Menino.

***

A exemplo do que aconteceu com o conto, tinha escrito essa poesia em um concurso na Flip. Mas precisava ser inédita, então apaguei do blog. Enfim, aqui está ela de volta.

Postado por Mateus Campos